Dizem que quem se define se limita, mas não estou numa época muito boa pra seguir essas frases clichês de efeito e tampouco acreditar nessas regras, que não, não se aplicam a tudo.
Me surpreendo constantemente com aspectos da minha personalidade que antes eu não tinha ciência da existência.
Me surpreendo por todas as vezes que amei personagens literários, atores que nem sabem que eu existo e por todos aquelas pessoas nos filmes que infelizmente não podem se materializar na minha frente, e me surpreendo mais ainda pela minha sempre tão presente relutância em amar as pessoas à minha volta.
Afinal, qual é o problema comigo? É tão fácil mandar um depoimento de eu te amo pra todos os meus conhecidos. Mas eu tenho que ser tão fiel assim aos meus princípios? Por que não posso dizer que amo pessoas que não me fazem ficar sem fôlego, rir até lágrimas saírem dos meus olhos, sentir que estou vivendo aqueles momentos que precisavam virar um filme?
E sou tão boba ao agir e esperar que as pessoas ajam igual aos filmes. E querer que o que eu vivo seja digno de ao menos um curta metragem, ou talvez um livro. De ser a imagem perfeita da personagem principal.
Isso tudo me torna tão hipócrita, porque sempre critico pessoas que idolatram boy-bands e atorezinhos do momento que eu considero lixo. Será que gostar de coisas que eu considero incríveis me torna melhor do que essas pessoas? Ou não, só me torna mais uma egocêntrica metida? Na verdade, a segunda opção tem mais verdade a respeito disso.
Não sei, ainda sou uma incógnita pra mim.
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